Nos últimos 10 anos, a evolução dos índices de desemprego no Brasil foi atenuada pela expansão do setor informal, mas as estatísticas apontam sensível redução das oportunidades de trabalho para a população de até 24 anos. É nesta faixa que se concentra mais da metade do desemprego total. Entre adolescentes de 14 a 19 anos, o desemprego cresceu de 25% para 29%. Entre jovens de 20 a 24 anos, observou-se um crescimento de 14% para 17%.

Esses jovens, sem renda, vivendo em condição familiar precária ou precarizada pelo desemprego dos pais, sentem-se excluídos e tornam-se alvo fácil dos apelos que levam à violência e à marginalização.

Diante desse cenário, e considerando serem as capacidades de geração de renda, comunicação e sociabilidade fatores essenciais para o exercício da cidadania, foi criado, em 1996, o Programa Capacitação Solidária (PCS), que promove concursos e financia projetos de capacitação profissional para jovens de 16 a 21 anos, com baixa escolaridade e provenientes de famílias baixa renda, para os quais existem poucas ofertas de programas educacionais profissionalizantes.

O PCS é uma proposta inovadora no que diz respeito:
  • à sua concepção política, que incorpora a participação ativa de organizações da sociedade civil, estimula a descoberta de novos nichos do mercado de trabalho e respeita as particularidades culturais das regiões onde atua;
  • à sua metodologia, que estabelece critérios diferenciados para o desenvolvimento e acompanhamento de projetos de capacitação de jovens; e
  • ao seu modelo de gestão democrático e transparente, que garante a participação dos mais diversos tipos de parceria.

O PCS é viabilizado pela Associação de Apoio ao Programa Capacitação Solidária (AAPCS), uma organização sem fins lucrativos, que capta recursos junto à iniciativa pública e privada e instituições nacionais e internacionais para o desenvolvimento de projetos de capacitação de jovens para o trabalho, propostos e executados por organizações da sociedade civil.

De 1996 a 2002, o PCS capacitou cerca de 126 mil jovens para o mundo do trabalho, em parceria com mais de 3.000 organizações da sociedade civil que atuam em nove regiões metropolitanas, contribuindo para o fortalecimento de uma grande rede solidária que começa a se estender por todo o país. Em 2003 já se encontram em processo de capacitação mais 3.690 jovens residentes nas regiões metropolitanas de Recife e Fortaleza. Os cursos oferecidos revelam a riqueza e a diversidade das formas de organização da sociedade brasileira, seus múltiplos interesses, expectativas e criatividade na luta para vencer a exclusão social.